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30 Janeiro 2017 - 10:22

Paramirim: saudades dos tempos de outrora!

Foto: Reprodução

Por Irlando Oliveira

Estávamos a evocar reminiscências do passado nesta manhã gloriosa de domingo, onde nos permitimos ao ócio merecido que nos faz bem, que alimenta a nossa Alma, em que nos entregamos aos prazeres do pensar. Assim, do solilóquio chegamos ao diálogo, através do qual logramos a inspiração necessária ao desenvolvimento da materialização do pensamento. Desta forma, nos recordamos das feiras sucedidas aos sábados, em Paramirim, há cerca de quarenta anos (1977), época em que contávamos doze anos de idade. Quase que não se via moto! Uma ou outra! Apenas as dos "playboys" daquela época, como a do nosso primo Dagoberto! As pessoas, assim como nós, íam a cavalo, deixando os animais amarrados nos arredores da feira, a qual tinha lugar na famosa Praça da Matriz! Inúmeros eram os equinos ali amarrados! As pessoas levavam seus víveres no lombo daqueles animais! É certo que existiam ônibus e outros veículos, os quais traziam muita gente da zona rural, mas as pessoas gostavam de ir montadas a cavalo! Era uma folia só!

Paramirim era uma pequena cidade bucólica, que contava com poucas ruas. Somente existia a parte da BA-156 pra baixo, sentido Água Quente, hoje chamada de Érico Cardoso. Ninguém ouvia falar em drogas e, quando se tinha notícias, estas diziam respeito tão-somente à maconha! E o usuário era literalmente estigmatizado, sendo, via de consequência, alijado do agrupamento social. Os estudantes, que se encontravam na capital, retornavam àquela cidadezinha querida - nosso berço - com entusiasmo e saudade jamais vistos, fazendo com que o ônibus da Novo Horizonte fizesse um verdadeiro "tour" pela cidade, todos eles se "exibindo" nas janelas e gritando, como forma de chamar a atenção dos munícipes, aliado aos seus familiares, que os aguardavam sedentos por um abraço caloroso!

Ah... como aqueles momentos eram agradáveis e mágicos! Boate "Lady Laura", Clube Social do inesquecível "galanteador Nelsão"! Jogos de voleibol na sua quadra, sem se esquecer das incontáveis "festas de arromba", para o nosso deleite! Miríades de passeios de bicicletas; passeios à Fazenda São João, da nossa querida avó Iazinha e dos nossos inolvidáveis Tio Lídio e Tia Neide! Passeios ao Zabumbão, aos alambiques dos arredores!!! Bibila, Tula, Marlon, Cida, Darlan, Danilo, Denison, Lidinho, Lane, Iris, Dinho, Hércules, Bainho, Vavá, Gildo, Diacuí, Lando, Fátima, Taninha, Osny, Róbson, Silvana Melo, Denise Leão, Juninho Tanajura, Cyra Magalhães, Grace Tanajura, Lina, Val, Lali, Leobino, Tetê, Andréa, Vandinho, Piloto, Dulcilene, Dalmo, Renê, Joalce, Eldinho, Hélio, Berg, Teté, Dedêgo, Luís Eduardo, Anselmo, Poliana, Assis, Deca, Gilvando, dentre tantos outros amigos que compunham aquele cenário! São reminiscências maravilhosas que preenchem as nossas Almas! O medo simplesmente inexistia! Ficávamos até altas horas das madrugadas nas ruas e praças, sem quaisquer receios! Não tínhamos notícias de polícia! Essa passava despercebida! Como era bom! Após, íamos buscar o nosso recolhimento nas casas das nossas tias: Naída, Crescência, Darci ou Niní, as quais nos recebiam com extremo carinho! Como era maravilhoso aquele tempo!!!

Às vezes, estávamos na boate e a luz simplesmente se apagava! Era o sinal de que somente teríamos mais trinta minutos para que acontecesse o apagão na cidade, já que a energia era por intermédio de um gerador! Oh Paramirim "bão"! Por que tu não voltas mais? Isso nos dá uma imensa nostalgia e um misto de magia! Afinal... recordar é viver!


Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.                        

29 Janeiro 2017 - 10:04

Em Busca de Sentido

Por Irlando Oliveira

Este é o título do pequeno grande livro do escritor e médico psiquiatra austríaco Viktor Frankl, uma obra primorosa, apresentada através de uma espécie de fragmento autobiográfico, fruto da sua vivência quando prisioneiro dos nazistas em um dos inúmeros Campo de Concentração, no holocausto da Segunda Guerra Mundial, tendo ali perdido seus pais, irmão e esposa, bem como alguns estimados amigos. É o autor da Logoterapia, versão da moderna análise existencial, que objetiva, dentre outras coisas, encontrar o real sentido das nossas vidas, principalmente ante os infortúnios que se nos apresentam no dia a dia.

O ilustre médico vienense experienciou momentos de extrema dificuldade nas mãos dos nazistas, sentindo, a todo momento, a sua vida se esvair, se acabar. Contudo, valendo-se das forças somente encontradas nos estoicos, buscava avaliar a tudo e a todos, sob vários ângulos, como forma de se extrair a sua lição. Tudo em nossa vida tem um porquê! Tudo vale a pena, se a Alma não é pequena, como dizia o grande poeta português Fernando Pessoa. As dores porque passara o eminente Dr. Frankl foram tão excruciantes que, segundo ele, não havia lugar na mente sequer para se pensar, por exemplo, em sexo. Se vendo assaz esfaimado, em razão da ínfima quantidade de "ração" diária, aliado ao trabalho extenuante, via-se sempre sem forças para a atividade braçal, obrigatória, a que era submetido com seus colegas prisioneiros. Assim, passou a valorizar, por demais, o pôr do sol - quando tinha a oportunidade de fazê-lo, no trajeto do local de trabalho ao dormitório -, apreciando, com simplicidade, também, a beleza das árvores situadas às margens do caminho que percorria até a frente de "trabalho". 

Diante do sofrimento a ele impingido, acompanhava a sua e a vida dos demais presos sempre ao talante daqueles que compunham a guarda suástica do ditador Adolf Hitler, líder do Partido Nazista, os quais, a todo momento, assassinavam, com tiro na cabeça, alguns prisioneiros "insurgentes". Assim, o Dr. Frankl buscava dimensionar os limites da criatura humana, ante tais adversidades. Desejava, ardentemente, fruir um sono em uma cama confortável, semelhante a que dispunha em seu doce lar, ja que dormia sobre "beliches" de madeira. Anelava banhar-se no chuveiro da sua casa, pois ali onde se encontrava inexistia banho ou qualquer outra higiene pessoal, apresentando sempre o corpo fétido e a cabeça contaminada por piolhos e lêndeas. Evocava reminiscências de um passado glorioso, em que desfrutava da companhia da consorte, dos irmãos e dos pais, bem como dos amigos de outrora. E chorava copiosamente! Resiliente, apostava sempre na superação de tais desditas, esperando vencer as aziagas que a vida lhe reservara, para, um dia, quiçá, se ver livre de tudo aquilo que tanto apoquentava a sua mente. E venceu! Pois, num dado dia, eis que os portões do Campo de Concentração que o "abrigara" simplesmente se abriu, dali saindo tal qual a lagarta da crisálida, já na condição de borboleta, para voar!

Assim, somos todos nós! Diante dos momentos de infelicidade, pelos quais passamos - já que compõem as nossas vidas -, que sejamos resilientes, firmes nos nossos propósitos, na certeza de os superarmos, mesmo com todos os sofrimentos decorrentes, pois dia virá em que a luz voltará a brilhar, ficando, tão-somente, mais um aprendizado, concorrendo para o nosso amadurecimento na condição de Espíritos imortais que somos, nos fortalecendo e criando condições propiciatórias para um novo porvir! Tudo passa!


Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.

20 Dezembro 2016 - 19:43

Brasil: país onde a barbárie e a impunidade andam de mãos dadas

(Foto: Reprodução)

 

Por Irlando Oliveira

 

O nosso Brasil é um país bem peculiar e sui generis. Ultimamente, nos vemos surpreendidos com tantas notícias desagradáveis, as quais dão azo a pensarmos que aqui tudo é possível, pois não vivemos uma democracia, absolutamente, mas uma anarquia, uma anomia! no último sábado 17/12, na cidade de Três Corações/MG, em pleno desempenho do seu mister, a Agente de Trânsito, Funcionária Pública Edvânia Nayara Rezende, de 23 anos, foi brutalmente espancada, em via pública, por um covarde que minutos antes havia agredido a sua própria esposa, identificada por Ana Paula, a qual - por incrível que pareça - é delegada da cidade, portanto uma autoridade! O protagonista da barbárie foi identificado como sendo o arrogante, prepotente e pusilânime Luiz Felipe Neder Silva, de 34 anos.

Quando Nova Iorque implementou a tão falada política pública de segurança intitulada "Tolerância Zero", a partir de 1994, sob os auspícios do Prefeito Rudolph Giuliani, se pretendia, dentre outras coisas, punir duramente os perpetradores de delitos de menor potencial ofensivo, a fim de se evitar - ou cortar o mal pela raiz - os crimes maiores. Ora, isso que assistimos, através do vídeo postado nas redes sociais, está longe de se configurar delito de menor potencial ofensivo! Bem o sabemos! O covarde pode, perfeitamente, ser enquadrado em inúmeros crimes, como: desacato, lesões corporais, ameaça, tentativa de homicídio...

Cenas como essas e tantas outras similares vêm acontecendo aqui no Brasil graças à leniência, compassividade e condescendência dessa nossa "justiça", a qual necessita, urgentemente, dar um basta nisso, pois tais eventos de barbárie surgem exatamente em razão dessa inércia e inação, por assim dizer, das autoridades que compõem o nosso Sistema de Defesa Social, o qual está literalmente mambembe e, via de consequência, desacreditado!!!


Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.

19 Dezembro 2016 - 08:38

Evolução moral e intelectual

(Foto: Divulgação)

Por Irlando Oliveira

Nos encontramos na família e no local que necessitamos para o nosso desenvolvimento. O planeta nos oferece oportunidades valiosas para evoluirmos na condição de espíritos imortais que somos. Aqui estamos para aprender e, consequentemente, para progredir, tanto no campo moral, quanto no intelectual. Pessoas há que priorizam a busca do conhecimento - o que é importante -, contudo, que esta seja acompanhada pela perseguição do aperfeiçoamento ético e moral.

O nosso espírito é o resultado de tudo que conseguimos amealhar no nosso cabedal psicológico - imaterial -, o qual é caracterizado pelas nossas virtudes, mas também pelos nossos vícios. Cada virtude por nós alcançada ao longo dos tempos é incorporada, passando a nos compor, a nos personificar. Assim, se tínhamos o hábito de praticar um vício, como o de furtar, por exemplo, e o trabalharmos - voluntariamente (através das nossas reflexões) ou obrigatoriamente (por ocasião do delito flagrado e da punição devida), a tendência natural é dele nos desvencilharmos e, via e consequência, passarmos a não mais tê-lo em nossa essência. E isso não representa tarefa fácil!

Um ensinamento de Santo Agostinho estabelece que devemos nos dedicar ao nosso aprimoramento moral, sendo hoje melhores do que fomos ontem, e amanhã melhores do que hoje. Tal ensinamento representa um convite a um eterno burilamento da nossa atitude comportamental, lutando contra nós próprios - o pior combate -, identificando as nossas mazelas morais e as trabalhando, a fim de incorporarmos mais e mais virtudes ao nosso Ser. A ética e a moral compõem os princípios deontológicos de qualquer profissão, servindo-nos de elemento norteador de conduta enquanto trabalhadores que somos, conduzindo-nos à compreensão de que tudo na vida são normas e regras, e a elas devemos nos curvar!

A busca do conhecimento, por sua vez, representa avanço intelectual tão importante quanto os progressos obtidos no campo da moral. Joanna de Ângelis (espírito), no pequeno grande livro "Vida Feliz", através das mãos de Divaldo Franco, numa abordagem sobre a importância do estudo e da boa leitura, assevera que "o conhecimento é um bem que, por mais seja armazenado, jamais toma qualquer espaço; pelo contrário, faculta mais ampla facilidade para novas aquisições". Fazendo uma analogia com a informática, podemos dizer que a nossa mente funciona tal qual um "HD" de capacidade infinita, e tudo que passamos a conhecer fica nele registrado para no momento oportuno eclodir, ajudando-nos numa melhor compreensão das situações que se nos apresentam no dia a dia.

Analisando a atitude comportamental de um trabalhador rural - na sua grande maioria quase que analfabeto -, eis que assume atitude de nobreza quando, ao passar por nós, por exemplo, nos cumprimenta com um bom dia, boa tarde ou boa noite; um intelectual, às vezes, não apresenta a mesma atitude nobre. Isso equivale dizer que o primeiro é desprovido de cognição, mas possivelmente portador de alta envergadura moral, o que falta no segundo. Desta forma, que nos esforcemos para a conquista do nosso progresso moral e intelectual, pois ambos devem andar juntos e nos darão a condição imprescindível para evoluirmos enquanto espíritos!


Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.                        

Bahia Verdade

12 Dezembro 2016 - 16:12

Velórios nas pequenas cidades: hábitos e costumes que precisam ser revistos

(Foto: Bahia Verdade)

Por Irlando Oliveira

Vivemos em sociedade e em razão disso sempre nos curvamos e nos rendemos aos hábitos e costumes do grupamento que compomos, os quais estão tão arraigados na estrutura social que muito dificilmente dele nos livramos. Vivemos sempre atendendo a esses "apelos" sociais, sem nos darmos conta de os avaliarmos detidamente, objetivando entender se procede ou não se comportar desse ou daquele jeito; se está correto ou não aquela forma de agir, enfim.

Alguns desses hábitos e costumes têm nos inquietado, considerando a forma com a qual eles se dão. Um deles diz respeito ao rito dos velórios nas pequenas cidades, onde a maioria das pessoas se conhece. Temos acompanhado alguns - ainda que de longe - e percebemos a angústia e a aflição da família enlutada, já que quase não pode sentir a dor da separação e seus últimos momentos - como deveria -, considerando o fato de ter que providenciar a "recepção" dos conterrâneos amigos, os quais inevitavelmente desejam ver e dar o último adeus ao companheiro que se foi.

Aliado à dor, a família "precisa" prover a casa do necessário para recepcionar os que chegarão. A situação está tão inquietante que em algumas cidades já são oferecidos serviços de "bufê" no velório, com direito a chocolate quente e tudo o mais! Ora... é festa? Se não tomarmos cuidado, os momentos de velório serão tão estilizados que seus custos ultrapassarão o preço de uma festa de debutante, por exemplo! Ruas são fechadas, toldos são montados e, dependendo do bufê contratado, até as cadeiras são forradas! Aí, nos perguntamos: e a família enlutada, como fica com tudo isso? Não pode mesmo sequer sentir a dor do ente querido que se foi! Não pode sentir até mesmo o silêncio que nos leva à reflexão e nos faz trazer à lembrança momentos mágicos que com ele vivemos! Numa ocasião, conversamos com um amigo que nos contou que quando o seu genitor morreu a família de imediato providenciou matar um garrote, a fim de atender às expectativas dos amigos e vizinhos visitantes! Café, bolo, biscoitos e tudo o mais foi providenciado! Ao que parece, a maior preocupação termina por ser a "recepção" e não a dor da separação!

São situações que temos nos permitido e vivenciado por causa dos hábitos e dos costumes da nossa sociedade. Desta forma, pensamos na necessidade de revermos algumas das nossas posturas, por mais difícil que possa parecer, de modo que o grande protagonista de um velório não seja a "recepção" ou o "bufê", mas o sentimento da família enlutada, que necessita ainda da "presença" do Ser "ausente"!


Irlando Lino Magalhães Oliveira é Oficial da Polícia Militar da Bahia, no posto de Major do QOPM, atual Comandante da 46ª CIPM/Livramento de Nossa Senhora, e Especialista em Gestão da Segurança Pública e Direitos Humanos.